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Antonio Vinagre | Se não tivesse tombado em combate, seria o terceiro presidente cabano

5 de janeiro de 2013

cabanagem BRASIL ESCOLAANTONIO VINAGRE- Nascido no Acará, em data não sabida, foi o principal comandante de massas da Cabanagem e também a mais radical e rebelde de suas lideranças. Lavrador, meeiro nas terras de Felix Malcher, amigo e seguidor do padre Batista Campos, foi um dos líderes da tomada de Belém em 7 de janeiro de 1835. Discordou da indicação do fazendeiro Malcher (proprietário das terras onde trabalhava) para a primeira presidência cabana e apoiou firmemente seu irmão Francisco Vinagre na contenda contra Malcher que resultou na derrubada e morte deste último e na ascensão  de Francisco como segundo presidente cabano. Mais tarde fará oposição a idéia de seu irmão de promover as eleições (o voto era uma prerrogativa exclusiva dos fazendeiros, comerciantes e pessoas de posses) que deram a vitória ao vereador reacionário Angelo Custódio. Destaca-se na batalha contra as tropas maranhenses que desembarcaram em Belém dispostas a empossar Angelo Custódio na marra.  Após a vitória se insurge outra vez quando seu irmão, apoiado por Eduardo Angelim decide entregar a capital paraense ao enviado do Império, o marechal portugues Jorge Rodrigues, em troca de uma vaga promessa de anistia. Desgostoso, Antonio que então era o comandante do Forte do Castelo, retira-se com suas tropas, primeiro para Icoaraci e depois para a Baía do Sol, em Mosqueiro.  De lá rejeita as propostas de capitulação enviadas por seu irmão, prevendo um massacre por parte das tropas legalistas. Infelizmente a história lhe deu razão: após o ataque de tropas cabanas, fora de controle, contra Vigia, o marechal Jorge Rodrigues desata uma feroz repressão em Belém contra os cabanos que resultou, inclusive. na prisão e encarceramento no porão de um navio de seu irmão Francisco Vinagre.   Então, Antonio, com apoio de Angelim que conseguira escapar da capital, começa a preparar a reconquista de Belém.  Em 14 de agosto de 1835, no acampamento do Sítio de Murutucu, na madrugada, as colunas cabanas antes de marcharem para o combate ouviram a proclamação de Antonio Vinagre, onde se destaca o trecho seguinte: “… Os vossos chefes não sabem iludir, por isso é preciso usar de franqueza e dizer-vos a verdade. Temos pouco armamento e falta de pólvora, mas esta falta será suprimida pela santidade da causa que defendemos e pelo desejo da mais nobre vingança. Mil vezes a morte no campo de batalha do que ter os pulsos algemados e arrastar pesadas e infames cadeias.”

Os cabanos atacam Belém através de três colunas, tendo Antonio reservado para si a tarefa mais difícil; o Arsenal de Guerra (atual Convento dos Mercedários) onde se aquartelavam as principais tropas e a artilharia adversaria. No primeiro dia de combates, Antonio Vinagre foi mortalmente atingido por um disparo do inimigo. Angelim assume o comando e leva os  revoltosos a vitória depois de nove dias de intensa luta.  Não contando mais com o grande comandante Antonio, os cabanos aclamam Angelim como o terceiro presidente revolucionário.

Se não tivesse tombado em combate, Antonio Vinagre seria o terceiro presidente cabano e sem dúvida, considerando  sua  disposição de não conciliar com os poderosos e de levar a revolução até o fim, a história posterior  da Cabanagem teria sido diferente. Em honra a este grande combatente popular, o Governo do Povo de Belém construiu o Conjunto Habitacional Comandante Cabano Antonio Vinagre.

Fonte: Ação Popular Socialista

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