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Instalação imediata da CPI dos grupos de extermínio!

3 de dezembro de 2014

Edmilson Rodrigues na tribuna da Alepa

Senhor Presidente,
Senhoras Deputadas,
Senhores Deputados,

Estamos na véspera do primeiro mês da chacina de dez pessoas em Belém, ocorrida em um intervalo de poucas horas entre a noite do último dia 4 e a madrugada do dia 5. Todos esses assassinatos, praticados com evidentes sinais de execução, ocorreram como consequência do fuzilamento do cabo PM Marco Figueiredo, conhecido como Pet, em circunstâncias até agora não esclarecidas, mas que remetem à possibilidade de envolvimento deste militar com grupos de extermínio e traficantes de drogas.

Apesar da intensa repercussão na sociedade paraense e a grande exposição do estado na mídia nacional e internacional, até agora nenhum suspeito foi detido e todos os 11 crimes permanecem envoltos em mistério.
É por isso que venho, mais uma vez, ocupar esta tribuna para cobrar a responsabilidade deste Poder. Como justificar que diante de fatos tão graves se continue protelando a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a existência de Grupos de Extermínio que atuariam de impune em muitas áreas do território paraense, mas com especial acento nos municípios da Região Metropolitana e também em cidades do Baixo-Tocantins?

Ressalto que desde o último dia 25, protocolei o requerimento da CPI com as 14 assinaturas exigidas e satisfazendo todas as demais premissas regimentais, o que me obriga a encaminhar um expediente formal cobrando explicações da Mesa Direta e em especial do deputado Márcio Miranda, presidente da Casa.

Não custa recordar que a matança do dia 4 está longe de ser um caso isolado. Antes, pelo contrário, pode ser apenas o fio de um sangrento novelo que revelaria a existência de muitas dezenas de assassinatos perpetrados por grupos de extermínio, constituídos por policiais militares e civis, em conluio criminoso com empresários e traficantes de drogas.

Cada dia que a Alepa se omite representa uma contribuição para que o ciclo da impunidade não seja quebrado e que mais vidas humanas sejam ceifadas, na sua grande maioria constituída por jovens pobres, negros ou indígenas, moradores das periferias de nossas cidades.

Já disse e repito: esta CPI não é contra este ou aquele governo. Não é – e não deve ser – instrumento da oposição. A CPI deve se materializar na resposta unitária, democrática e cívica de todas as legendas que têm assento neste plenário, como resposta de homens e mulheres de bem contra todas as formas de barbárie e de violência.

Gostaria, por fim, de ilustrar a gravidade da situação com o exemplo de um caso que há poucas semanas ganhou as páginas dos jornais. Trata-se do desbaratamento, por ação exemplar da Polícia Civil e do Ministério Público, da organização criminosa liderada pelo ex-prefeito de Igarapé-Miri, Ailson Santa Maria do Amaral, vulgo Pé de Boto, e que além de assaltar os cofres daquele município chefiava um grupo de extermínio responsável, segundo documentos oficiais do processo judicial que foram anonimamente encaminhados a meu gabinete, por pelo menos 37 assassinatos com características de execução, entre outros muitos outros crimes.

O importante é que Pé de Boto agia em conjunto com policiais militares e civis, adotando um modus operandi que pode revelar como atuam outros grupos de idêntica índole criminosa, tal qual aquele que suspeita-se esteja por trás desta última chacina que escandalizou a sociedade paraense.

Reproduzo, a seguir, pequenos trechos de gravações realizadas com autorização judicial e que constam da Ação Penal contra Pé de Boto e seus asseclas:

19/05/2013 – 09:12:31 – duração 01:31 – 9968-6024 X 87018090 (Ruzol X Pé de Boto).

Pé de Boto – Pegue o pessoal da Rotam, mas agora, mande lá na Vila, agora, na casa da morena que trabalhava lá em casa. O JOAZINHO e o MARCELO mande quebrar na porrada e trazer eles.

Ruzol – Como é o nome da Mulher lá?

Pé de Boto – é o Marcelo o Joaozinho, eles tão numa bebedeira lá. Mande pegar eles, dá uma volta, até a morena também, que trabalhava em casa, mande amarrar eles e passar na frente da Vila.

Ruzol – Tá legal.

Pé de Boto – mas Agora, agora!! Saia para resolver isso.

Ruzol – tá seguro, to mandando.

19/05/2013 – 11:51:11 – duração 01:31 – 9968-6024 X 87018090 (Ruzol X Pé de Boto).

Ruzol – Fale CHEFE!

Pé de Boto – seguinte: a ROTAM vai levando daqui um vagabundo, homicida, de Belém, manda puxar toda a ficha dele.

Ruzol – Certo, certo.

Pé de Boto – Agora o seguinte: prepare a dose para ele. Para ele não vir para cá mais. Rapidinho, você vai encontrar com ele na estrada para dar para eles. Prepare rapidinho. 20 tá bom para ele.

Ruzol – Pior é que não tem aqui.

Pé de Boto – Mande dar o jeito rápido.

Ruzol – tá vou conversar aqui com o pessoal aqui.

Pé de Boto – rápido, mande alguém ver. O Galo. Alguém ver aí.

Ruzol – Tá seguro.

Pé de Boto – Mas tem que ser rápido que eles vao segurar ele na viatura até você entregar para eles. Mande arrumar 20 purucas para apresentar ele.

É de escandalizar! Mas isso é uma pequena mostra do festival de torpezas que este criminoso executou ao longo de anos em Igarapé-Miri até ser alcançado pelo braço da Justiça.

Fatos como esse e tantos outros deverão ser objeto da investigação da CPI, cujo trabalho será realizado de forma correta, imparcial e estritamente dentro dos limites da lei.

Não há qualquer razão para não instalar a CPI dos Grupos de Extermínio. A hora é agora. Que todos e todas assumamos nossa responsabilidade, sob pena da completa desmoralização do Legislativo paraense.
Muito Obrigado!

Palácio da Cabanagem, 3 de dezembro de 2014.

Deputado Edmilson Rodrigues
Líder do PSOL

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