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Palestra de Edmilson abre o VIII Fórum de Relações Internacionais da Unama

Professor e doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP), Edmilson Rodrigues fez a palestra de abertura do VIII Fórum de Relações Internacionais da Unama. A abertura foi na noite de quarta-feira, 28 de agosto, e contou com a presença da reitora da Unama, Ana Célia Baía, e teve como tema “A (in)segurança da Amazônia brasileira diante do contexto internacional. “Vivemos um período técnico-científico-informacional de crise sistêmica e profunda, mas acredito que com um modelo de desenvolvimento que tenha o uso do território como abrigo podemos construir um futuro de mais segurança humana, uma sociedade mais justa e feliz”, destacou Edmilson.

Para um auditório lotado de estudantes e professores, Edmilson destacou que o mundo é composto de vários territórios e todos eles com diferenças que precisam ser reconhecidas e previstas no planejamento e execução de políticas públicas. No entanto, ele enfatizou que essas diferenças não podem ser confundidas ou usadas para justificar as desigualdades. É possível, segundo ele, construir um modelo de desenvolvimento que reconheça essas diferenças sem gerar desigualdades, como ocorre, atualmente, com o modelo de desenvolvimento vigente no país, que transforma todos os recursos, incluindo os naturais como a água, em mercadorias.

Deputado estadual pelo PSOL, Edmilson destacou a necessidade da sociedade se apropriar do conhecimento técnico-científico para discutir e construir um modelo de desenvolvimento que diga não ao uso do território como mercadoria. “É possível construir um projeto de desenvolvimento que preveja o uso do território como abrigo, como garantia de direitos, de segurança humana, alimentar, de justiça social, mas é preciso que esse projeto seja resultado de um processo de construção coletiva”, defende Edmilson, que também é pesquisador e professor da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA). Sua tese de doutoramento na USP, defendida em 2010, teve como título Território e Soberania na Globalização – Amazônia, Jardim de Águas Sedento.

Durante a sua palestra, Edmilson apresentou vários indicadores sociais, sobretudo do IBGE, que apontam que ainda há muito a ser feito para diminuir o alto índice de exclusão social, no que diz respeito ao acesso a direitos básicos como saúde e educação. Um deles foi o índice de que apenas 38% das crianças de 0 a 5 anos são escolarizadas, ou seja, mais de 60% estão excluídas desse processo. O índice também é bastante alto entre os adolescentes e jovens, pois de 15 a 18 anos apenas a metade (50%) estão escolarizados, o que demonstra que o acesso às universidades e, consequentemente, ao saber técnico-científico ainda é bastante restrito. “Alguns índices revelam que houve alguma melhora nos últimos anos, mas ainda há muitas distorções a serem corrigidas e é preciso que a sociedade brasileira esteja atenta para essas questões”, destacou.

Em relação à Amazônia, Edmilson criticou a implementação de grandes projetos e políticas públicas planejadas de forma exógena e que não prevêem as diferenças da região. De acordo com os dados apontados por ele, 73% da população amazônica vive nos centros urbanos, além da região contar com um grande índice de migração de pessoas de todo o país, sobretudo a partir do momento em que é anunciado a instalação de algum grande projeto. O modelo de ocupação da região continua sendo o mesmo implementado e incentivado no período militar que tinha como slogan “Ocupar para não entregar”.

Em Altamira, segundo ele, antes do anúncio e do início das obras de Belo Monte, a população era de cerca de 90 mil pessoas, atualmente é de mais do dobro desse número. Ocorre que não estão sendo implementadas políticas públicas que atendam a todo esse contingente populacional e o rastro que esses grandes projetos deixam é de exclusão social e miséria. O tão propalado desenvolvimento não se reflete em desenvolvimento humano, o que pode ser comprovado pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), divulgado recentemente e que apontam que os piores índices encontram-se em municípios paraenses, sobretudo no Marajó. “Construir um modelo de desenvolvimento que reconheça as diferenças regionais e pense formas de garantir a segurança humana em todo o território brasileiro, em especial na Amazônia, que historicamente tem sido um espaço de exclusão, é um desafio colocado a todos que sonham com uma sociedade mais justa e feliz”, concluiu Edmilson.

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